terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

É Carnaval, trabalhamos a mal.

Eulália: Oh filha da puta! Este ano de que te vais mascarar no carnaval?
M.ª das Dores: De elefanta. Emprestas-me a tua tromba?
E.: Vai antes de vaca que assim não precisas de te disfarçar muito.
M.D.: Só se o teu homem me emprestar os cornos dele.
E.: Deixa lá estar o meu homem em paz que está bem... longe. E sempre vai ganhando algum, que se não fosse o dele, mais o do Sr. Dr., estava bem fodida com a côdea que o cabrão do nosso patrão nos paga.
M.D.: Vai chorando, vai chorando minha puta, que pareces uma madalena arrependida. Estavas tu a falar no entrudo, e não sabes que este ano vais ter que trabalhar na 3.ª feira gorda?
E.: Mas tu és burra, ou comes merda? Que disparate estás para aí a dizer? Eu não te digo que não te podes esquecer de tomar os medicamentos?
M.D.: Tu não viste o noticiário? O primeiro-ministro não nos quer dar o feriado porque diz que o povo precisa de trabalhar.
E.: Ah grande filho da puta. Trabalhar no dia de carnaval? Depois de tantos sacrifícios que fazemos e esses cabrões ainda nos tiram uma das poucas alegrias que temos nos dias que correm?
M.D.: É para tu veres. Andavas tu e as outras todas tolas, com o pito aos saltos, quando ele veio aqui fazer campanha. Votastes nele, agora fodei-vos. E fodêmo-nos todas.
E.: Se não fosse ele, era outro que nos vinha foder. Se calhar o melhor era vir outra vez o Salazar.
M.D.: Olha filha, ao menos com esse tínhamos o emprego garantido. No tempo dele não havia falências ou deslocalizações. Só não podíamos era falar mal da política. Mas também, eu de política pouco percebo.
E.: És tu e eu, caralho! Cada vez percebo menos...

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